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A Sacerdotisa Fátima Damas comparece ao Seminário "Espiritualidade e Gratidão" na UERJ e fala sobre o tema "Gratidão é tudo"
Sáb, 25 de Maio de 2013 12:11

A realização do evento foi do PROEPER - Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões, coordenação da Profª Telma Gama, em parceria com a Igreja Messiânica Mundial do Brasil no dia 23 de maio de 2013

 

Gratidão é tudo!

“As religiões, todos sabem, são caminhos diversos e às vezes divergentes, que conduzem ao mesmo destino. O indivíduo está sob a assistência de Deus, pois mesmo as regras que aos seus contrários pareçam absurdas ou degradantes como a confissão no catolicismo ou a bênção solicitada aos pais de santo de terreiro, revelam um grau de humildade significativo de radiosa elevação espiritual.

Seria negar a Deus os atributos humanos de inteligência e justiça ao se admitir que Ele fosse capaz de desprezar ou punir as suas criaturas porque não amam do mesmo modo, porque não oram com as mesmas palavras, porque não seguem os mesmos ritos.

Deus não tem partido e atende a todos os seus filhos de onde quer que o chamem com amor e fé, parta a prece do coração de um cardeal ajoelhado na suntuosidade de um altar ou saia ela de um coração do peito de um sertanejo dentro do silêncio pesado da selva.

Os homens é que escolhem pela suas culturas ou pelas tendências de suas almas, em seus estágios de evolução, a maneira mais propícia de cultuar e servir ao Criador.”

Esse texto de Leal de Souza explora aspectos do relacionamento entre o homem e Deus – a adoração, a imparcialidade, o amor acima de formalismos e convenções humanas.
Entretanto, há nesta relação com o Criador que o criou e sustenta outro componente que acho importante destacar: a gratidão como expressão natural e indispensável de quem vê Deus como essencial para si e para outros.

A ideia de gratidão requer uma reflexão mais ampla quando queremos abordar as manifestações de fé, de amor, de religião e de intercâmbio.

Como identificar o sentimento de gratidão?

Há relacionamentos movidos por interesse?

Até que ponto a presença ou ausência deste sentimento pode indicar ou mensurar o grau ou tipo de relacionamento?

O que move uma pessoa a expressar este sentimento?

Há na Umbanda algum exemplo de pessoa que demonstre a virtude da gratidão?

De início é importante reconhecer se agimos ou pensamos com gratidão.

Quando falamos em relacionamento, seja entre seres humanos ou entre estes e o Criador, uma observação mais profunda leva-nos a perceber que há diferentes tipos de postura e expectativa. Há quem ame ou finja amar visando alguma vantagem pessoal e o faz para atender às exigências de seu egoísmo; submete-se até a amargas situações para no fim poder obter o almejado. O outro, pode ser Deus ou ser humano, é apenas um meio, uma ponte para se obter algo que satisfaça à uma necessidade.

Lógico que é imaturo pensarmos que a vida é desprovida de necessidades materiais, mas fingir os sentimentos, passar por cima de pessoas ou agir totalmente por interesse é um desvio de conduta que denuncia egoísmo por excelência.

Na umbanda é comum observarmos posturas meramente egoístas em pessoas que em vez de buscarem nela a conquista dos valores engrandecedores da vida, vão em busca somente de um bom partido para matrimônio, melhoria da saúde, paz no lar. Uma vez obtendo isto, partem sem sequer agradecer às entidades pela ajuda ou reconhecer o bem que obtiveram. São ingratas.

Já outras pessoas sentem-se sensibilizadas ou têm suas vidas totalmente transformadas por um benefício que recebem em vida e agem e pensam com gratidão em relação a pessoas e o Criador.

Não raro são estas pessoas que por resultado da gratidão lideram movimentos solidários e organizações de defesa do direito humano, constroem obras sociais, reerguem para a dignidade seres e famílias marginalizadas. Incrível pensar no que um simples sentimento de gratidão pode promover!

Na Umbanda o jovem Zélio de Moraes, após receber todo o benefício que a religião de amor e caridade lhe trouxera, abrigava em seu próprio lar necessitados de toda a espécie. É um exemplo de gratidão.

Finalizando, recorremos a um trecho do espírito Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier, em sua obra Caminho Verdade e Vida, na mensagem Que buscais? em que o autor diz que “ os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos. Muitos devotos entendem encontrar na Divina Providência uma força subornável, eivada de privilégios e preferências. Outros se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.”

Umbanda é – como disse o Caboclo Mirim – coisa séria para gente séria.

Jamais terá sua finalidade na satisfação de desejos materiais e temporários, mas sua finalidade é a prática da caridade dentro dos valores éticos e fundamentais da vida.
Um sacerdote umbandista sério nunca cederá aos apelos da futilidade, da ganância, da sensualidade, do ódio.

Terá sempre em mente e no coração o lema-farol que o iluminará para toda vida, lema deixado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas: umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade.

Quem é verdadeiramente Umbandista humilde sabe devolver com gratidão à Umbanda, aos seus guias, à vida e às pessoas todo e qualquer benefício que tenha recebido deles.