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Fala da sacerdotisa Fátima Damas na Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro
Qua, 22 de Maio de 2013 15:01

Defensores Públicos Pelo Direito de Recomeçar


“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,

qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Pelo Espírito Emmanuel – Chico Xavier

Prezada Senhora Maria Leonor Fragoso Carreira – Presidente da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro,

 

 

Prezados Defensores e Defensoras Públicas,

Membros da Mesa e Presentes

É com muita alegria que comparecemos a esta solenidade e parabenizamos a iniciativa da ADEP-RJ na escolha de um tema, não só relacionado à vivência e ao esforço de seus integrantes, mas que se refere também aos princípios de todas as religiões, em especial aos da religião cristã.

Recomeçar para nós que somos umbandistas reveste-se de duplo sentido: um sentido ligado à fé na reencarnação, símbolo da justiça e da misericórdia do Criador que dá ao transgressor tanto da lei humana como da lei divina, a oportunidade de começar de novo, de adquirir novos conhecimentos e novas experiências, de reparar seus erros ante os homens e ante a Deus, através de novas existências corporais, aqui na Terra ou em outros mundos do universo e de contribuir na criação de Deus.

O outro sentido diz respeito à regra do perdão, tanto o perdão aos outros como o auto-perdão, sem deixar de levar em consideração a necessária reparação da falta por uma pena.

O perdão sempre terá de ser seguido do esforço de reparação diante de nossa consciência, dos homens e de Deus. É a reparação que trará ao transgressor o sentimento de dignidade pela quitação de um débito contraído e pago com o sacrifício de uma pena, seja física, emocional, mental ou espiritual. O resgate de sua integridade feito por si mesmo, também deveria fazer com que a sociedade mostrasse ao transgressor de forma objetiva, seu reconhecimento de valor e dignidade, dando a ele, oportunidades de resgate profissional, familiar, espiritual e de cidadania enfim.

Nesse aspecto pensamos que poderia ser relevante uma reflexão conjunta, talvez por um seminário, entre religiosos da CCIR e membros da ADEP-RJ que fortalecesse os conceitos e práticas de ambos, abrindo espaço a novas formas de lidar socialmente com e de pensar e olhar em transgressores,

Na reflexão sobre o direito de recomeçar, nós religiosos por certo carecemos da maturidade que os defensores públicos têm em lidar com transgressores, isto no que se refere a seus perfis, suas condutas, suas recaídas, etc. Também achamos que neste tema, por nossa prática de fé e de oração, de atendimento espiritual e emocional a pessoas encarnadas e desencarnadas nos terreiros de umbanda, podemos oferecer novas medidas para se lidar com quem erra e sofre.

Observando os fenômenos da natureza e da vida o ensino do recomeço se faz patente.

O sol de hoje reaparecerá amanhã trazendo-nos as vibrações de calor e luz que mantêm a vida e facilitam as atividades humanas.

As caídas da criança que inicia os primeiros passos serão seguidas de outras, tornando a musculatura do corpo mais firme até que ela se estabilize na marcha.

A onda do mar que chega à areia da praia parece incansável repetindo o ato numa onda seguinte.

Se observarmos bem, notaremos sempre uma alteração de estado produzida por uma ação contínua.

O calor do sol cura as enfermidades do corpo.

As quedas estimulam a busca da estabilidade.

A rocha dura sofre a erosão causada pela onda de água constante.

Pessoas recomeçam suas atividades a cada dia,

Células de nosso corpo morrem e outras nascem e se regeneram,

As estações da natureza recomeçam a cada ano.

Pessoas, a vida e a natureza nos dão a lição do recomeço.

Pensando assim seria muito bom que nós todos, mas principalmente os religiosos, pensássemos em dar aos transgressores meios de recomeçar de forma digna, humana e cidadã, lembrando que o dia recomeça amanhã e não temos certeza nenhuma se não iremos errar também.

Muito obrigado.


Meu saravá a todos,

Fátima Damas